O problema alcança uma tal gravidade que Montaigne, permanentemente à beira de uma crise de identidade, teme por momentos esquecer o próprio nome e fica se perguntando como conseguirá viver a vida cotidiana o dia inevitável em que tal desgraça, contida na lógica de seus esquecimentos precedentes, vier acontecer.
Essa falta geral de memória tem evidentemente efeitos sobre os livros lidos, e é logo no começo do capítulo dedicado a eles que Montaigne reconhece sem rodeios sua dificuldade em guardar traços de suas leituras:
E se sou homem de alguma instrução, sou homem de nenhuma retenção."
(BAYARD, P. Como falar dos Livros que não lemos? Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p.70)
Bem, acho que não preciso mais falar muito para quem me conhece... não foi difícil sentir empatia por Montaigne. Agora posso dizer que além de Clarisse Lispector, Montaigne também me entenderia.
Montaigne já me era simpático pelas idéias, e agora com mais essa... estou gostando desse cara.
Esse medo de perda de memória na vida cotidiana me afeta quanto as senhas... tanto que padronizei algumas, criei também um método de prevenção para preservação de memória, que consiste em não fazer questão de guardar nomes de atores e atrizes (sei que em determinados circulos sociais é necessário, por vezes, este conhecimento, mas prefiro guardar este espaço de meu cérebro para nomes de familiares e amigos).
Quanto a fatos e eventos, gosto dos que minha irmã participa... e carrego comigo minha câmera fotográfica.
iauhsiasiaisuh
ResponderExcluirEu só lembro do que marca. e quando estamos juntas muitas coisas marcam, isso é bom!
Lembro de informações que eu posso usar no futuro contra alguém. Ser má tem suas vantagens! ahsiuahsiuashuihaiush